sábado, 26 de fevereiro de 2011

Introdução

Meu nome é Kimberly Nicus, tenho 59 anos, casada há 22 anos, mãe de três filhos. Hoje sou uma empresaria de sucesso, com anos de experiência, muitas histórias boas para contar e inúmeras batalhas para conquistar uma vida melhor.
Sou descendente de turcos e servos, e nunca escondi as minhas origens, nem mesmo o que tive que enfrentar para chegar até onde cheguei. Trago em meus dias, a simplicidade da minha infância adolescência, misturada com a competência de anos de estudo e determinação. Não venci sozinha, isso eu posso garantir, pois tive do meu lado pessoas, ou anjos como chamo, que sempre guiaram os meus passos.
Muitos me perguntaram por que não escrever sobre a minha carreira, ou sobre aquilo que eu sei fazer de melhor. Confesso que cheguei a cogitar essa idéia, mas ao chegar a minha casa, vi o velho porta-retrato de madeira negra que ganhei de minha madrinha sobre a mesinha do meu escritório, com uma foto da minha primeira formatura. Como eu estava radiante naquele dia! Também pudera, era a minha primeira formatura, um sonho que tinha sido realizado. Olhando aquela foto, descobri que minha carreira não seria absolutamente nada se eu não tivesse enfrentado tudo o que vivi.
Em um ato de completa insanidade ou de inspiração, não sei. Subi correndo a escada de mármore negro, parei em frente à porta branca do meu quarto e entrei devagarzinho, para não acordar meu esposo. Passei pela beira da cama para me certificar se Jason estava acordado, mas ele dormia feito um anjo de livro na mão. Tirei o livro de suas mãos, dei um beijo em sua testa, o cobri e somente depois me sentei em frente de um baú de madeira clara, velho já e que somente agora percebi que combinava com os móveis de meu quarto. Comecei a procurar por antigas caixas que tinha certeza que ali guardava.
 No fundo do um baú havia caixas de madeiras coloridas, que pintei há tempo atrás. Eram quatro: uma amarela com tampa branca; a seguinte era verde em dois tons; mais embaixo havia uma vermelha e a ultima, que era a que procurava, azul bem claro.
Lembro bem do dia em que a pintei. Foi no mesmo dia em que tirei aquela foto da minha formatura. Uma quinta-feira de sol forte... Eu com os cabelos entrançados e com um avental transparente por cima da minha roupa, estava contente e com tinta azul sujando as minhas mãos. No rosto, além do sorriso, gostas ou traços de tinta se faziam presente. Daquele jeito completamente desajeitado, entrei em casa como um raio e feito uma louca sai procurando por minha mãe para mostrar a tal obra de arte que tinha feito. Belo dia aquele!
Ao abrir a tal caixa, encontrei vários diários. Sim, diários! Aqueles que as meninas escrevem quando são adolescentes. Pois é, eu tinha os meus. Comecei a escrever no meu amigo Taylon com 15 anos e de lá até aqui não mais o abandonei. Taylon foi testemunha viva de tudo o que passei; me viu crescer, viu a menina se transformando em mulher, em profissional, em esposa e mãe. Quantas vezes não o contei meus medos, minhas alegrias, amores e até os meus desencontros. Algumas vezes sorrindo, mas muitas outras chorando e desabafando dores de minha alma.
Taylon é parte importante de minha historia. E naquelas caixas havia vários cadernos que contava justamente a minha vida, escrita por próprio punho. Ali sentada folheie alguns deles e rapidamente surgiu em minha mente flashes daqueles momentos que ali lia. Cada página tinha sido um dia meu; uma historia minha, um pedaço da minha vida e que sem esses pedaços eu não seria nada. Nadinha mesmo!
Com lágrimas nos olhos, lembrei que tive que lutar muito para conseguir tudo o que tenho hoje e que poucas vezes falei dessa minha luta para alguém. Talvez poucos a conhecesse, mas a maioria sempre achou que tive tudo nas mãos. A verdade é que um bom  profissional, nunca tem tudo nas mãos e ele sempre passa por inúmeras coisas até chegar ao seu objetivo final.  Havia um antigo ditado que dizia que “sonhos são feitos para poucos, pois nem todo sonhador tem coragem, ou ousadia para realizar sua utopia.”
Meu esposo acabou por acordar ao ouvir o meu brando. Desesperado correu ao meu encontro, me abraçou como se naquele abraço todas as dores do mundo pudessem sumir. Na maioria das vezes, podiam sim, mas não naquele momento, pois não chorava de dor e sim de emoção.  Então como num sussurro me perguntou o que havia acontecido. Em seus olhos tinham preocupação. Ele costumava a falar que não gostava de ver lágrima em meu rosto, pois doía ver meu sorriso apagado.
Como uma metralhadora em noite de guerra dispare-me a contar o que havia decidido fazer. Ele apenas me ouvia sem dizer uma só palavra. Quando se deu conta de que havia terminado a minha historia, Jason se levantou rapidamente, caminhou em silencio até a mesinha da cama e num jeito de carinho e apoio, pegou o meu nothebook. Voltou, sentou bem do meu lado, ali no chão mesmo e me disse:
_Aqui estou eu para te ajudar a escrever suas memórias. Não sou tão  bom com a escrita assim, mas se você me dizer o que pôr, vamos conseguir juntos, como sempre.
Eu apenas sorrir e sem pensar em nada disse que seria sobre aquilo que escreveria. Sobre a minha luta! Como tive que lutar para construir a minha própria historia? Foi uma vida de muitos conflitos pessoais, de longos aprendizados, cheia de aventuras, paixões e desencontros, mas também de grandes amigos, pessoas que foram verdadeiros anjos em meu destino; muitas alegrias e momentos inesquecíveis também. Um misto de força, garra e determinação com fragilidade, medos e muito amor. Coragem e fé em mim mesma e em meu Deus me ensinaram a viver um dia de cada vez...
Espero que possa ser útil para a caminhada de muitos de vocês.
Kimberly Nicus

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