quarta-feira, 2 de março de 2011

1º capitulos - Meus avôs maternos

Minha historia começa bem antes de meu nascimento, para ser mais exata no período em que meus avôs se conheceram e com o nascimento de meus pais. Sofia Nicus e Gabriel Phalla.
 Liandra Alfes e Matheus Nicus – meus avôs maternos – se conheceram em uma das viagens que Matheus fazia com o seu cinema itinerário – Cine Nicus. Lembro como se fosse hoje das inúmeras vezes me deitei na cama de minha avó materna e a ouvi estórias de como eles tinham se conhecido. Quando pequena a estória de amor deles, era um conto de fadas, mas com o passar da idade, ela foi me contando mais detalhadamente o que aconteceu com eles dois, bem no comercinho de tudo. E hoje, percebo que se tudo aquilo não tivesse acontecido exatamente daquele jeito, era bem capaz de euzinha aqui nem si quer ter nascido.
A família Nicus era dona de uma dos mais belos cinemas da época, mas não cinema fixo e sim que rodava cidade após cidade. E foi assim que ele chegou na cidade de minha avó. Liandra. Quando o Cine Nicus chegou à cidade de Cruz das Armas foi uma verdadeira festa por parte dos moradores, pois era uma grande novidade para aquela cidade, produtora de milho verde, ter um divertimento como aquele bem ali ao alcance deles. No finzinho de um vasto campo, o cine se instalou, com suas tendas maravilhosas, seus inúmeros funcionários que além de ter o cine como oficio ainda produzia algumas peças de artesanato e produtos para vendar,  e seus cavalos encantadores.
As moças da cidade ficaram encantadas com tamanha beleza dos filhos da dona do cine. Dona Laís, era uma italiana que cresceu aqui no nosso país. Filha de um produtor de vinho e uma camponesa italiana, belíssima. Dona Laís sempre andava muito bem arrumada, com seus vestidos impecáveis, cheios de coloridos e jóias fabulosas. Seus filhos sempre muito bem vestidos. Matheus, Célio, Vinício e Madalena. Como me avó dizia, cada uma mais bonito que o outro.
Meu avô Matheus era o mais velho, um moreno de olhos negros, com seus 17 anos que dominava como ninguém o mundo dos negócios. O cine era o seu maior negocio e cuidava dele como se fosse sua alma.  Já Célio era o locutor, quem anunciava as sessões do cinema. Um jovem cheio de charme que encantava a todas, mas não se apegava a nenhuma. Na maioria das vezes era um galã meio canalha, pois vivia se metendo em confusões com pais e irmãos de varias moças pelas cidades que passava.
Vinício era o mais novo, 14 anos e dono da arte dos desenhos, entre uma sessão e outra sentava na frente do cinema desenhava as belas jovens que passava, algumas vezes vendia seus desenhos, outras tantas guardava de lembrança da cidade por onde passará. Ainda era muito menino para se apaixonar por alguém, apenas queria se divertir.
Madalena, a mocinha da família era encantadora, dono de belos par de olhos negros como a noite e de uma voz impressionante, cantava todas as noites antes da sessão começar e encantava cada rapaz da cidade com seu charme e sua voz, mas não dava liberdade a nenhum de seus admiradores, pois era prometida a um senhor amiga de sua mãe. Ela não o amava, mas também não se importava com o fato de ser prometida a ele, pois seu casamento ainda iria demorar muitos anos para acontecer.
Minha avó Liandra, dizia que aquela foi a primeira vez que ela havia ido a um cinema, pois havia sido criada pressa dentro de casa, apenas bordando e costurando roupas sociais para as damas da sociedade de Cruz das Armas. Seus olhos se enchiam de lagrimas ao lembrar aquela lona colorida armada num campo no finalzinho da cidade onde morava. Uma barraca, como era chamada, enorme, bem estruturada e organizada por meu avô.  Foi ali naquele pavilhão que os dois se encontraram.
Ela com uma saia vermelha bem rodada, longas tranças douradas sobre o corpo e algodão doce nas mãos e ele, todo simpático mostrando aos visitantes os seus lugares na arena, com uma calça azul marinho, camisa branca e colete também azul, chapéu negro nas mãos e um sorris encantador para as damas ali presente. Para Liandra aquele era o homem de seus sonhos. Já para Matheus, apenas mais uma paixão de viagem. Pelo menos no inicio.
Liandra era muito bonita e Matheus logo se encantou com seu sorriso e seu charme de menina. Todas as manhãs ele procurava passar pela casa de Liandra e como quem nada queria, parava em frente a janela, dizia-lhe bom dia com um largo sorriso no rosto e ao ouvi sua resposta seguia seu caminho feliz da vida. Por várias vezes chegaram a se encontraram no cinema ou no armazém da cidade e foi nessas muitas vezes que se encontraram no armazém que começaram a conversar e a namorar. O caminho do armazém até a casa de Liandra era o suficiente para conhecer aquela doce menina.
Quatros meses era o tempo que Cine Nicus ficaria na cidade. Quatro meses serviram para criar uma paixão avassaladora no coração de Liandra, tanto que na ultima noite do cine em Cruz das Armas, ela se entregou a Matheus, sem si quer pensar no que lhe aconteceria quando sua família, tradicional, descobrisse.
Minha avó dizia que tinha sido uma loucura da parte dela, mas também a coisa mais bela que ela já fez em toda a sua vida. Se entregou ao seu amor, por paixão, por emoção e por saber que ele também a amava. Os dois ficaram juntos por aquela noite de luar e na manhã seguinte Matheus pegaria suas coisas e seguiria sua viagem, sua longa viagem longa.
Matheus prometerá escrever assim que chegasse a seu destino e ainda disse que não duvidasse de seu amor, pois voltaria assim que possível para buscar o seu coração que deixava com Liandra. Já Liandra ficou, tendo apenas uma carta de amor escrita na noite anterior por seu amado e cheias de ilusões em seu coração. Não sabia se Matheus voltaria para buscá-la com havia prometido, nem sabia o que o destino lhe reservaria.
Por um mês espero, aflita por noticia que não chegava. Mas o destino às vezes é cruel com os apaixonados e assim foi com meus avôs. Matheus escrevia quase todos os dias para Liandra, mas as cartas dele era interceptadas por Dona Carmen, mãe de Liandra, que nem as li nem as entregava para serem lidas por minha avó. O que fazia ainda mais aumentar o desespero de ambos.
Até que num belo dia, Dona Carmen, recebe em sua casa uma senhora já de idade, Dona Mariana, que viera fazer uns vestidos para sua filha, Marisa. A moça, envergonhada pediu que Liandra lhe tirasse as medidas, pois não queria mostrar o corpo a Dona Carmen. O pedido da jovem foi aceito depois de muitas perguntas de minha bisavó e Liandra entrou em seu quarto com a moça.
Marisa sem graça pediu desculpas a Liandra e conversaram por um tempo, lembrando do passado. As duas se conheciam de longa data, foram criadas juntas na escola. Foi então que nesse ato de intimidade Marisa lhe conta que não queria que Dona Carmen a visse, pois estava grávida de um dos ciganos do cinema que a pouco havia ido embora. Os moradores da cidade, chamavam os Nicus de ciganos, pois viviam viajando e nunca se sabia onde seria sua próxima parada. Liandra entrou em desespero, nervosa perguntou a jovem, qual era o nome do rapaz.
A moça enrolou e enrolou até que falou que havia se deitado com o mais bonito dos irmãos, que havia sido assim que eles chegaram à cidade, há cinco meses atrás. Liandra nem si quer parou para pensar que Matheus tinha outro irmão tão bonito quanto ele, continuou a tirar as medidas da moça, porém com lagrimas nos olhos agora. Quando a jovem foi embora, minha avó sentou-se para costurar os tais vestidos e Dona Carmen percebeu que algo estava errado com a filha. Por varias vezes insistiu que Liandra lhe contasse o que havia acontecido e que não entendia o que ela estava escondendo há mais de um mês.  Em um ato de insanidade Liandra contou a sua mãe o que tinha feito e que tinha certeza que estava grávida, pois suas regras não havia vindo esse mês.
Dona Carmen era do tipo de mãe tradicional, não aceitava filha que se tornasse mãe solteira de modo algum. Na mesma hora que escutou a historia de Liandra, fez suas malas e a colocou no meio da rua, mandando-a embora o mais rápido possível para que nenhum vizinho a visse.  Disse que não a procurasse mais, pois não era mãe de ter filha perdida e que procurasse o desgraçado que lhe fez esse mal todo para ver se ele assumiria o filho e ela, se não assumisse era bem feito, pois quem a mando ser tão promiscua assim.
Liandra chorava desesperadamente, não sabia o que fazer, nem sabia onde encontrar Matheus para fala-lhe do filho que esperava, quando mais para onde iria. Sem ter para onde ir, sentou na calçada do armazém do Seu Carlos e lá ficou até conseguir ter forças para andar. Carlos, amigo da família de Liandra, ao vê-la ali foi conversar com a jovem. Envergonhada Liandra contou o que havia acontecido.
_ Menina, me diga quem foi esse safado? Você não tem pai, mais tem amigos, me diga quem ele é que falarei com ele.
_ Obrigada seu Carlos. Mas prefiro não dizer...
_ É um homem casado, minha filha?
Liandra não respondeu, preferiu que Carlos pensasse o que quisesse mas não contou que o pai de seu filho era seu amigo Matheus. Carlos com pena da moça a levou até a casa de sua irmã, a Dona Mariana. Pedir que a abrigasse  ali, até sua sobrinha Marisa ir embora para a fazenda e quem sabe não poderia levá-la com ela. Dona Mariana não fez perguntas, apenas pegou as malas e levou para o quarto de Marisa.
Na manhã seguinte, minha avó contou tudo o que havia acontecido para Dona Mariana e essa lhe tranqüilizou o espírito ao conta-lhe que o filho que Marisa esperava não era de Matheus e sim de Célio.
_Minha filha, eu sei bem que você está assustada. Mas agora você carrega em seu ventre um pedacinho do amor que você viveu naquela noite. Não se desespere. Carmen apenas está nervosa, logo ela verá que está errada e irá atrás de você.
_ Duvido muito, Dona Mariana. Minha mãe sempre disse que não queria uma filha perdida no mundo.
_ E desde quando você é perdida? Liandra lhe conheço desde pequena, nunca vi você fazer nada de errado, sempre agiu com o coração. Você não é uma perdida. Olhe, amanhã, você e Marisa vão para a fazenda dos ciganos. Com o tempo as coisas vão se esfriando e eu assim que puder estarei lá com vocês. Não se preocupe que cuidarei de sua mãe e de você também.
E assim se foi feito... Na madrugada daquele mesmo dia as duas meninas e o irmão de Dona Mariana, o senhor Lucio, foram para a fazenda dos ciganos, a fazenda Cabo e Canoa. E lá foram bem recebidas e bem tratadas.
Quatro meses depois de sua partida, Matheus voltou à cidade, porém desta vez sozinho. Viera buscar Liandra como havia prometido. Os últimos meses inteiros foram dedicados ao acúmulo de dinheiro, para que viesse até Cruz das Armas pedir a mão de sua amada a Dona Carmen. Ao chegar na cidade, procurou o amigo, dono do armazém para saber noticia de Liandra.
_ Amigo Carlos, quanto tempo?
_ Tempo longo mesmo, meu amigo. Tantas coisas aconteceram nesse tempo.
_ Imagino, mas eu queria mesmo era saber daquela moça.  Como vai aquela a jovem? Liandra se não me engano, o seu nome.
_ Liandra se foi. Triste historia meu amigo. A menina foi enganada por um safado a colocou no caminho da perdição e Dona Carmen, que não é mulher de ter dentro de casa mãe solteira, a mandou embora com uma mala na mão e nenhum dinheiro no bolso.
_ Mas como isso foi acontecer? Quando foi isso meu amigo?
_ Matheus, Dona Carmen é mulher antiga. Criou Liandra como se cria um preso e ainda assim a menina aprontou. Queria saber que foi o safado que deixou aquela menina nessa situação, se pelo menos tivesse ficado e casado com ela. Mas não, a deixou ai, sozinha no mundo.
_ E onde ela tá agora?
_ Ninguém sabe... ou se sabe, ninguém fala.
_ Se eu for na Dona Carmen será que ela me fala algo?
_ Acho que é perca de tempo, cigano. Carmen nem fala mais no nome de Liandra é mais fácil minha irmã lhe dizer onde as meninas estão.
Meu avô ficou revoltado com essa situação e com peso na consciência, foi atrás de Dona Carmen. Lá contou que se apaixonou por sua filha e somente agora que tinha dinheiro para lhe dá uma vida melhor, veio lhe pedir a mão. Dona Carmen, lhe contou o que aconteceu e disse que lhe daria a mão da jovem sem o menor problema, pois sabia que era um rapaz bom, de boa família, trabalhador, mas que não poderia dá a mão de Liandra, pois agora ela não era mais virgem e sim uma mãe solteira.
_ Onde sua filha está Dona Carmen? Eu assumo a criança assim mesmo...
_ Meu filho, isso não se faz. Não se pode encobrir o erro que não foi seu.
_ Mas e se eu quiser assim mesmo? Eu digo a cidade inteira que foi eu quem fiz Liandra se perder, dou meu nome a ela, ao filho que ela espera e a senhora não nos verá mais. Caiu no mundo com ela. Prometo o que a senhora quiser que eu prometa, mas, por favor, me diga onde encontro sua filha.
_ Você deve mesmo amar a minha menina, não é?
_ A amo, mais do que a senhora possa imaginar.
_ A ponto de perdoar um erro do passado?
_ Eu também já errei muito e se ela me perdoar por meus erros, a perdoarei dos dela também.
Meu avô não mentia naquele momento, ele realmente a ama e sabia que o erro foi feito entre ele e ela, os dois juntos deviam ser perdoados. Mas sabia também que se dissesse a Dona Carmen que o homem para quem Liandra se entregou foi ele, jamais a veria novamente e nunca seria perdoado por Dona Carmen. Foi então que conseguiu o endereço da Dona Mariana mãe da jovem com quem Liandra foi embora.
Matheus bateu na porta de Dona Mariana e contou-lhe o que aconteceu, pedindo o endereço de sua amada. Dona Mariana, era uma mulher liberal, sabia perfeitamente que nem sua filha, muito menos Liandra fizeram algo errado. Deu o endereço da fazendo onde as duas estava e avisou que seu irmão Lucio estava indo para lá, pois sua filha Marisa, estava para ter seu filho.
_ Marisa também está grávida?
_ Sim, seu irmão a deixou grávida. Mas eu bem sei que ele não sabe disso. Como sei também que você não sabia que Liandra espera um filho seu.
_ Mil perdoe Dona Mariana, tanto por mim como por meu irmão. Eu escrevi cartas para Liandra, mas ela nunca me respondeu.
_ Não se desculpe meu rapaz. Minha filha sabia o que estava fazendo. Quando vocês chegaram aqui, eu logo vi, que ela se encantou com seu irmão. Também pudera, ele é um jovem muito encantador. Liandra é uma boa moça, meu filho. Ela escondeu de todo mundo que o pai era você. Vá, se case com ela como é sua vontade e nunca mais apareça na cidade. Carmen é uma mulher antiga, nunca aceitará nem perdoará a filha.
_ Mas será que ela ainda me quer?
_ Tenho certeza que sim. Liandra nunca recebeu uma carta sua e saiu daqui achando que foi abandona por você, mas ainda assim lhe amando. Vá e faça o que tem que ser feito.
_Obrigado senhora, vou e mando noticia assim que chegar lá.
_ Por favor, não diga a seu irmão que ele tem um filho. Essa criança será minha vida e ele será criado como meu filho, não de minha filha.
_ Está bem senhora, se assim a senhora quer, assim farei.
Meu avô viajou por longos dias até chegar na Fazendo Cabo e Canoa. Uma bela fazenda, cheia de gados, pastos e belos lugares para se passear. O dono da fazendo era um cigano, chamado Ivan Dryn. Um bom homem, que sempre que podia acolhia os necessitados. Sua esposa, Carmelita, acolhia as mães solteiras, ensinava-lhe um oficio e cuidava delas como se fossem suas filhas. Eles não tinham filhos, então cada um necessitado que se hospedava com eles, era como se fosse seus filhos.
Foi ali naquela fazendo que meus avôs se reencontraram. Liandra grávida de 5 meses, continuava linda como sempre e meu avô apaixonado por sua beleza. Assim que Matheus chegou a fazenda, contou-lhe que escreverá cartas e mais cartas mas que nunca havia recebido nenhuma resposta. Também lhe disse que falará com sua mãe e que ela lhe permitiu casar com ele, porém não a queria mais como filha.
Ivan e Carmelita conversaram muito com meus avôs, perguntaram se queriam mesmo realizar o casamento e ao escutarem a resposta de ambos, começaram a preparar a festa para os dois. Quem já teve a oportunidade de assistir uma festa cigana sabe do que estou falando, foi completamente encantadora. Carmelita vestiu Liandra como se fosse sua filha e Ivan vestiu Matheus como se fosse o seu filho.
Ali os dois se casaram, com a benção de seu Ivan e do padre que morava na fazenda. No meio do pasto em frente a uma fogueira e com muitas musica, alegria e bons amigos. Foi ali, que Matheus conheceu seu amigo Vitor, um cigano forte, inteligente e bem apanhado que mais tarde se tornaria o seu grande amigo e pai de meu pai.  A cerimônia foi belíssima  tiveram  Marisa e Lucio como os padrinhos daquele lindo casamento.
Dois dias depois da cerimônia, Marisa deu a luz a uma menina de olhos claros como os dela. Infelizmente durante o parto houve complicações e ela morreu, sem nem ter conhecido a filha. Dona Mariana ao saber da noticia viajou para a fazenda, desolada ainda com a morte de sua filha, resolver se mudar para a fazenda ao lado e criar a criança com os ciganos que por ali moravam. Antes de dá noticia de Dona Carmen, Dona Mariana pediu que Liandra e Matheus fosse os padrinho da sua neta Sinara e os dois aceitaram.
Após o convite Dona Mariana, contou que Dona Carmen, que se encontrava muito doente e queria ver sua filha pela ultima vez para pedir que lhe perdoasse. Minha avó, decidiu voltar a cidade o mais rápido possível, mas como estava grávida vieram parando em cidade e cidade. Quando chegaram em Cruz das Armas infelizmente já era tarde demais, Dona Carmen havia falecido duas horas antes e Liandra não conseguiu se despedir da mãe nem comunicá-la a verdade sobre o filho que ela esperava.
Seu Carlos foi quem cuidou de tudo e disse a Liandra que Dona Carmen havia deixado uma caixa para ser entregue a ela. Na caixa havia as inúmeras cartas que meu avô havia escrito.
_ Liandra, minha filha, ela nunca tinha lido as tais cartas. Mas depois que você Matheus passou por aqui e falou com ela, ela resolver lê-las para ver o que você dizia. Foi quando ela leu uma carta que você fazia referencia a noite que vocês se despediram. Ali naquela hora ela descobriu que o filho era seu.
_ Seu Carlos, eu quis contar quando estive aqui, mas...
_ Mas eu lhe assustei... Carmen me pediu para dizer que lhe perdoa e pedi que seja perdoada pelo o que fez a você Liandra.
Depois da missa de sétimo dia, Matheus e Liandra foram embora de Cruz das Armas para se juntarem a família Nicus em Portos, onde agora o Cine Nicus estava por uma longa temporada. Primeiro foi marcado de que logo depois que a criança nascesse eles se mudariam, mas com o tempo foram ficando e ficando por quatro anos.
O tempo passou e nasceu a primeira filha do casal, Julia Nicus. Dois depois chegou a Bianca e no ano seguinte minha mãe Sofia Nicus, que nasceu em meio de uma grande festa na tenda de meus avos maternos, Liandra e Matheus Nicus. Sofia era a filha do meio, loirinha de olhos negros e de sorriso fácil. Era encantadora, uma criança linda, dengo de todos da família.
Após o nascimento de Sofia Liandra e Matheus decidiram volta para a região das fazendas dos ciganos. Victor, mandou lhe avisar que estava casado e que queria que eles fosse os padrinhos do filho que sua esposa esperava. Por isso voltaram...

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